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Mostrando postagens com o rótulo cronica

Mamãe, a sombrinha e eu

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Fonte: Pinterest  Por: Ella Cinderela Mamãe e eu estávamos a caminho do posto de saúde perto de casa. Chovia muito. Ela levava sua sombrinha xadrez e eu, a minha de bolinhas. Foi quando me peguei pensando: "Quando foi que deixei de andar na chuva na mesma sombrinha que mamãe?". Dois segundos depois, senti raiva. Por que mamãe estava sozinha  em uma sombrinha? Pior ainda, por que estava me deixando ir em uma sombrinha separada da dela? Durante aquele trajeto, sob a chuva forte e gelada que caía do céu, pude pensar e repensar quantas coisas já não faço com mamãe. E está tudo bem, não? Afinal, já tenho mais de 18 anos e não saímos juntas com tanta  frequência. Outro dia, precisei ir a um lugar com alguns documentos específicos e tinha esquecido um. Nossa, como fiquei com raiva de mim e, depois, de mamãe, por ter esquecido! Como ela pôde me deixar sair sem aquele documento! Depois de tanto pensar e repensar, não me resta alternativa senão vagar pelas memórias da infância. Alg...

Ponto de ônibus. Pontos de história. Pontos vermelhos

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Fonte: Divulgação/Internet  Por: Eduardo Rodrigues O despertador grita. O corpo estremece de susto. Acordar segunda-feira é especialmente irritante depois de dois dias de paz pela manhã. “Tchau final de semana!” . De volta à programação normal: levantar com sono, banho gelado pra acordar, ouvir um som, vestir o uniforme, botar água pra ferver - porque um cafezinho é necessário - e preparar pão com manteiga e queijo. Pego o celular: são 6h20 - “Dá pra chegar no horário” . O protesto dos rodoviários foi semana passada, “ninguém disse que ia ter outro hoje” . Checo o grupo da turma e na descrição diz que hoje tem aula de História - “com o professor certo, essa aula é boa. Com o errado, dá mais sono” . Se despede de mãe e pai. Anda até o ponto de ônibus. Normal. Foi só chegar na parada e lá vem o Cidade Nova 5/Ver-O-Peso. “Égua, nem demorou! Um sinal do universo de que o dia vai ser bom” . Já saiu lotado do final de linha. Sobe, “Bom dia!” . Não tem lugar pra sentar. “Ir em pé é sinal...

Vestibular

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Fonte: Agência Brasil  Por: Mauro Lopes Leal Na sociedade atual, escuta-se muito uma expressão que, pessoalmente, compreendo como execrável: “Ele/ela venceu na vida!”. Se pararmos para refletir, de forma não passiva, perguntamos, com uma voz interna inquieta e desconfortável: “Mas que diabos é vencer na vida?”. Alguns dirão, obviamente, que tornar-se um vencedor em nosso mundo capitalista é acumular bens, adornar-se com produtos e vestimentas de alto valor, possuir imóveis em regiões paradisíacas etc., etc. e etc. Tal visão não poderia ser outra, uma vez que fazemos parte de um grupo de animais ao qual é imposto como maior meta (e talvez a única, para muitos) a do enriquecimento. E toda a nossa organização política, cultural, educacional, dentre outras, apregoa tal imposição. As fórmulas para tanto são inúmeras. Sonhamos com uma mudança brusca e imediata de vida. Dormir pobre e acordar rico. É o que chamo de Síndrome de Peter Parker, a picada da aranha. No nosso caso, ao contrário ...

O peso dos dias

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Fonte: Salvador Dalí/ Shutterstock.com  Por: Matheus Lima Entre os dias que se arrastam sem fim, Um cansaço me abraça, se prende em mim. A rotina suga e esmaga o meu peito, E o descanso é sonho que não tem direito.   A casa me chama, as tarefas cobram de mim, A culpa me morde se as horas desdobram. O sábado vem, mas não traz alívio, Acordo cansado, perdido no vício.   Não há tempo pra mim, só o peso das coisas, A vida é um ciclo de horas penosas. A faculdade exige, o mundo consome, E ao final, quem sou eu, senão um nome?   Tenho 24, mas me sinto menor, Um pedinte de sonhos que a culpa devora. Quero algo meu, que traga um sentido, Mas o desejo é vazio, um grito contido.   E assim sigo, sem ter pra onde ir, Carregando o mundo, tentando existir. Entre a poeira, os livros, a luta, o suor, Sou alguém que só quer descansar sem dor..

O Simpósio e o Desejo de Viver

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Fonte: Veja SP  Por: Rafael Kafka Lembrava-se uma frase de Hatake Kakashi em Naruto: "A geração antiga sempre é superada pela nova geração. Essa é a lei do mundo." Pensava nisso com carinho enquanto via os trabalhos sendo apresentados no simpósio de literatura do grupo de pesquisa ao qual estava vinculado. Lembrava-se de sua própria turma de Letras ali no mesmo IFPA. Eram pessoas que, por exemplo, não eram muito afeitas à filosofia e pensavam em dar aula de literatura como professores de cursinho.  De repente ele via uma série de autores bem interessantes sendo explorados. Até filmes como “O Pagador de Promessas” eram temas de trabalhos, e isso provocava nele um arrepio intelectual muito profundo. Sentia-se focado como nunca ajudando na organização do evento, prestando atenção às apresentações, fazendo perguntas e comentários. Ele tinha também um trabalho a apresentar, mas pensava que o ponto alto do evento para ele era o evento em si.  Estava afastado do trabalho havia m...

A era da vigilância

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Fonte: Pixabay  Por: Wesley Ribeiro Quinta feira a noite, aula de Espaço Amazônico. Professora inicia a aula, debates vão tomando conta do Laboratório de Geografia. Contribuo com o debate a partir de algumas colocações teóricas oriundas de livros que li ao longo da graduação – obrigatórios e por prazer –. Pausa na aula: é hora do intervalo. Rapidamente, nos deslocamos para a fila do jantar, no andar de baixo da instituição. Fila grande, papo vai, papo vem. Servidos, finalmente. Sopa quente acompanhada por um diálogo com um amigo de curso sobre a atual conjuntura política brasileira. Otimismo e pessimismo se entrelaçam. Um colega de turma chega no fim do intervalo: já são 20:30h! Estávamos acabando a refeição e retornando para o Laboratório de Geografia para continuarmos a aula. Com o retorno da mesma, novos debates surgiram. Desta vez, sobre como o território é influenciado pelos agentes que estão em seu interior. Mais uma vez contribuo para a discussão. A professora foca em alguns...

Inversão narcísica

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Fonte: Extra Classe   Por: Bárbara Duarte Denise andava ensimesmada, mergulhada em pensamentos intermitentes, ideias fixas, sem conseguir achar uma solução. Não ia a lugar nenhum, pois nem sabia de onde partira. Apenas remoía um fato nítido e tão forte quanto o abalo de uma exposição pública: ela não conseguia olhar o seu reflexo no espelho. Comparava essa sensação ao dia em que a sua calça rasgou enquanto descia de um ônibus lotado. No ônibus, Denise não conseguia disfarçar o olhar admirado em direção a dois estudantes de medicina de uma faculdade pública. A moça, uma jovem de beleza invulgar, olhar altivo e vivaz, conversava animadamente com seu colega, de igual desenvoltura. Ambos perceberam os pensamentos inconfessáveis de Denise, taciturna e acabrunhada, deixando-se trair por sentimentos mal contidos. O som metálico do peso de sua bolsa despencando no chão a despertou do torpor da atração que aquelas duas figuras lhe provocaram e, num átimo, ela juntou seus pertences e saiu ...

O contador de carros

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Fonte: unsplash/Luiza Giannelli  Por: Ramon Reis Naquela tarde chuvosa, restaram algumas crianças correndo entre os carros, como se não houvesse amanhã. Acho que já era o quinto carro que passava. Fitei-as com um olhar de ternura. Lembrei-me de um tempo distante, cheio de memórias repletas de cheiros e sabores. Quanto amor havia naquele bolinho de chuva que a minha avó preparava quase toda tarde. Mudei de rota e avistei um passarinho parado perto da janela do quarto; ele parecia calcular milimetricamente o momento de ir embora. Dito e feito. Levantei levemente a mão direita e ele se foi. Continuei contando os carros que passavam; vez ou outra faço isso para desacelerar meus pensamentos. Contar carros na janela tem sido comum. Gosto de observar o movimento da rua porque tenho a impressão que meu lugar é a rua, é nela que encontro afago, é na rua que me sinto livre, é para ela que retorno quando saio da janela.

Apagão

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Fonte: Pinterest/Jaqueline Barros Por: Ramon Reis Apagaram-se os rastros que deixaste na areia fina da praia. Tempo outonal, magenta. Lembras que o tempo é o dono dos nossos pensamentos? O tempo é filigrana, não se apaga. O que talvez se apaga é o que esqueces. O tempo não esquece. Já pensaste em quantas vezes nós nos apagamos em pensamentos loucos? Brisa vespertina com cheiro de jasmim! Apagar uma sensação para encontrar um caminho real, é o que tentas. E tentas incansavelmente. Chega a doer em ti. É possível que tenhas a opção de apagar tamanha sensação, para que, enfim, te apagues mais uma vez.

Conivente

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Fonte: depositphotos  Por:  Clarissa Passarinho e Noel Bahia Em uma noite quente, quatro amigos se encontraram em uma boate famosa entre universitários, conhecida por guardar segredos. Alexandra entrou hesitante, seu sorriso nervoso misturando-se à excitação do ambiente. Ao seu lado, Adria se destacava, rapidamente se tornando o centro das atenções, sem perceber que alguns olhares eram predatórios. Daniel, à distância, observava com um sorriso enigmático, enquanto Arthur permanecia distante, alheio à vulnerabilidade das amigas. À medida que a música pulsava, Adria beijou Alexandra sob o efeito do álcool. Embora esse gesto despertasse em Alex uma mistura de alegria e confusão, a amizade entre elas parecia estar à beira de um colapso. Daniel, então, começou a beber, oferecendo shots e drinques coloridos, enquanto as meninas aceitavam suas ofertas, sem perceber que ele consumia bem menos. Após várias rodadas, Adria sugeriu que se dirigissem a uma área mais privada. Lá, o clima le...

Brasileiríssimo

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Fonte: Pexels Por: Mauro Lopes Leal Ano: 2023. Local: uma sala de aula do ensino médio. A professora traz várias apostilas e, com entusiasmo, fala: hoje vamos ler um conto de um famoso escritor brasileiro, Machado de Assis. Um aluno levanta o braço e pergunta: quem? A turma toda gargalha. Vamos analisar a cena. Mas antes de tudo, isentaremos o aluno de qualquer culpabilidade com a sua “questão”? O leitor pode discordar e não irei me opor. Adianto apenas que, como esta é uma crônica, de natureza analítica/argumentativa, reafirmo o caráter puramente dialógico da mesma, na qual expresso apenas e humildemente um ponto de vista. E por que o aluno não possui culpa? “Ele não quer ler, não quer introduzir-se nos campos literários, não quer conhecer, não tem curiosidade”. Sim, tal observação, feita por algum leitor mais enérgico do JD, tem relativa fundamentação, mas não é este o ponto que busco defender aqui. Em verdade, posso até reafirmar a inocência de um aluno que faz tal pergunta. E daqui...

Procura-se

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Fonte: Jovem Pan   Por:  Mauro Lopes Leal Passei em frente a uma banca de jornal, uma das poucas que sobraram em Belém. Na lateral, um aviso: Procura-se. Alguém havia perdido um cachorro e agora o procurava desesperadamente. Parei para ler. “Atende pelo nome de Tobi. Tem 4 anos. Fugiu de casa há uma semana. Raça: Vira-lata. Deixou uma criança triste. Quem puder ajudar, telefone (91) 98.... abaixo, uma foto de um cãozinho, colorida. Vira-latinha, marrom, de orelhas caídas, olhar traquina, de quem havia acabado de correr pelo quintal levando entre os dentes uma sandália velha. Interessante. As informações ali contidas diziam mais do que queriam. E isto me intrigou. Geralmente, tais perdas se referiam a animais de raça, como um poodle , pug ou yorkshire terrier . Bem raro a busca por um cão de raça considerada menos nobre ou não pertencente à realeza canina. Toda aquela busca para encontrar o animal perdido era, desse modo, bastante louvável. Tobi devia ser, portanto, amado naqu...