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O peso dos dias

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Fonte: Salvador Dalí/ Shutterstock.com  Por: Matheus Lima Entre os dias que se arrastam sem fim, Um cansaço me abraça, se prende em mim. A rotina suga e esmaga o meu peito, E o descanso é sonho que não tem direito.   A casa me chama, as tarefas cobram de mim, A culpa me morde se as horas desdobram. O sábado vem, mas não traz alívio, Acordo cansado, perdido no vício.   Não há tempo pra mim, só o peso das coisas, A vida é um ciclo de horas penosas. A faculdade exige, o mundo consome, E ao final, quem sou eu, senão um nome?   Tenho 24, mas me sinto menor, Um pedinte de sonhos que a culpa devora. Quero algo meu, que traga um sentido, Mas o desejo é vazio, um grito contido.   E assim sigo, sem ter pra onde ir, Carregando o mundo, tentando existir. Entre a poeira, os livros, a luta, o suor, Sou alguém que só quer descansar sem dor..

Dança das sombras

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Fonte: YouTube  Por: Matheus Lima Em meio ao silêncio da noite, um grito abafado escapa, perdido entre as sombras de pensamentos densos e pulsantes. A voz, embargada, ecoa apenas dentro de si mesmo, como se o peito fosse um grande abismo onde palavras caem sem nunca encontrar solo. “Alguém me ouve?”, pergunta, mas o vazio responde com um silêncio cortante. Todos os dias são um ciclo eterno: o despertar, os mesmos passos que levam à faculdade, a volta para casa e o repouso cansado sobre um travesseiro que nunca traz descanso. As horas, os minutos, tudo segue repetindo-se em um tempo sem fim, enquanto o mundo ao redor parece girar em um ritmo que ele não pode acompanhar. À beira do precipício, ele se questiona. Existe mesmo um fundo neste abismo? Ou tudo isso não passa de um reflexo de seu próprio caos interno? Talvez seja uma visão apenas sua, algo que a mente construiu para justificar a dor surda que nunca cessa. Pensa se tudo isso seria um tipo de punição divina, como se exist...

Matinta Perera

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Fonte: Lenda Sombria Por: Mauro Lopes Leal Ela avançou sobre a noite, arrastando seus farrapos sobre as poças de água que refletiam uma lua vermelha, singular. Cães ladravam perto dos postes de luzes fragmentadas, farejando os passos daquela mulher que se confundia com as próprias sombras, tornando-se também elemento essencial de uma paisagem silenciosa, porém urbana. As casas, sonolentas, guardavam dentro de si trabalhadores fatigados, exaustos pelo serviço e exploração. Não havia tempo para sonho, devaneio, apenas repouso tumular, posto que a vida se tornou uma máquina, que range, oscila fumegante e produz de forma incansável. “Durmam”, sussurra a mulher de longa cabeleira negra. E suas unhas arranham os muros, os portões de ferro. Seus pés, desnudos, alternam-se ágeis, sombrios, entre vielas que traduzem uma soturna e estranha esperança. De quê? Impossível saber. Não há tempo para refletir, não há meios de se libertar. Daqui a meia hora a turba começará a se movimentar, enferma, dóc...